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Juvernal Hemenegildo da Cruz | Mestre Juvernal Engraxate | Bahia N/D decada de 1920


Fotografado por Pierre Verger. Citado como um dos mais ágeis e perigosos capoeiristas por escritores e pesquisadores do porte de Jorge Amado, Odorico Tavares, Edison Carneiro, Waldeloir Rego.

Presente nas listas dos bambas da Bahia da década de 40, feitas pelos velhos capoeiristas. Tudo isso se passou com Juvenal Engraxate. Mas quem foi esse mestre?

Pouco se sabe sobre ele hoje. Vamos ao que é fato: ele era jovem no início da década de 40, com pouco mais de 20 anos. Jogava principalmente na antiga Rampa do Mercado (Mercado Modelo mesmo, o antigo). De acordo com o escritor Odorico Tavares, Juvenal tinha um barracão onde aconteciam rodas de capoeira, lá no Chame-Chame.

Entre seus colegas de vadiação estava Samuel Querido de Deus, muitos anos mais velho que ele. Pelo jeito, o temido Querido de Deus devia respeitar muito o jovem Juvenal, uma vez que ao ser chamado para uma exibição, escalou o amigo para ser seu parceiro na demonstração. Outra coisa que sabemos com certeza, é claro, é sua profissão.

Mas quem foi seu mestre? De acordo com o relato oral de um antigo mestre, ele era "da turma de Waldemar". Mas isso não quer dizer que Waldemar foi seu mestre. Se ele deixou discípulos, não sabemos ainda.

Sempre alinhado, Mestre Juvenal Engraxate também não ficou tão famoso quanto Bimba, Pastinha ou mesmo Waldemar. Mas foi um dos grandes da Bahia na década de 40, como podemos ver nos textos de Jorge Amado sobre seu colega Samuel:

"...porém ainda assim, não há melhor jogador de capoeira, pelas festas de Nossa Senhora da Conceição da Praia, na primeira semana de dezembro, que o Querido de Deus. Que venha Juvenal, jovem de vinte anos, que venha o mais ágil, o mais técnico..."

"Dois cinematografistas queriam filmar uma luta de capoeira. Samuel chegara da pescaria, dez dias no mar e trazia ainda nos olhos um resto de vento sul. Prontificou-se. Fomos em busca de Juvenal. E, com as máquinas de som e de filmagem, dirigimo-nos todos para a Feira de Água dos Meninos.

A luta começou e foi soberba. Os cinematografistas rodavam suas máquinas. Quando tudo terminou, Juvenal estendido na areia, Samuel sorrindo, o mais velho dos operadores perguntou quanto era. Samuel disse uma soma absurda na sua língua atrapalhada. Fora quanto os americanos haviam pago para vê-lo lutar.

O escritor explicou então que aqueles eram cinematografistas brasileiros, gente pobre. Samuel Querido de Deus abriu os dentes num sorriso compreensivo. Disse que não era nada e convidou todo mundo para comer sarapatel no botequim em frente."

Poucos capoeiristas hoje em dia já ouviram falar de Juvenal Engraxate. Mas ele é mais um mestre que o Zungu não vai deixar esquecido.


Relato Segundo Mestre Morais do Grupo GCAP

O Mestre Juvenal foi um dos vários mestres que defendeu a Capoeira Angola com a garra de quem defende a própria vida.

Aluno do Mestre Samuel Querido-de-Deus, a quem comparava a "um onça"(sic) devido à extrema agilidade daquele. Estivador, como a maioria dos antigos capoeiristas, aproveitava as horas de descanso, após as refeições, na beira do cais para exercitar-se, e aos colegas que quisessem se iniciar na nobre arte.

Quando entrevistado pelo repórter Cláudio Tavares, da revista "O Cruzeiro", em 1948, afirmou ser a capoeira a "sua cachaça", não esquecendo de destacar a Capoeira Angola, "para destacar da Regional de Mestre Bimba" conforme interpretação do repórter.

Mestre Juvenal já não se comportava mais como os tipos de capoeiristas angoleiros, contemporâneos do memorialista Manuel Querino: "[...] pernóstico,excessivamente loquaz, de gestos amaneirados, tipo completo e acabado do capadócio e o introdutor da "capoeiragem" na Bahia". Por força da dinâmica cultural e social, Juvenal já não atendia àquelas características apresentadas por Querino.

Cultivava características do seu tempo: musculoso, delgado, mas ágil e elástico,também loquaz e amaneirado.Conforme Tavares, não era um malandro, nem um profissional exclusivo de capoeira, que pudesse ser contratado para qualquer "servicinho" a mando dos grandões. Como outros capoeiristas da época, Juvenal era um trabalhador, um estivador que passava as horas do dia e até da noite no "pesado".

Será que essa situação unia mais a capoeira ao capoeirista? Não sei. Juvenal orgulhava-se do mestre que lhe ensinou os segredos de uma capoeira que "tem golpes para aplicar em qualquer adversário, estando solto ou segurado o angoleiro".

(fonte Mestre Morais)




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